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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

1984 - George Orwell

Sabe aquele tipo de livro que te faz pensar, que faz você ver as coisas por ângulos diferentes? Pois bem, 1984 de George Orwell vai fazer sua cabeça explodir com a sua forma de descrever o poder e a política, e o melhor, vai fazer isso com a sutileza de quem sabe explicar o seu raciocínio com clareza e didática, quase como uma professora do pré-primário.

Apesar de nos Estados Unidos ter sido tido como uma crítica ao comunismo, George Orweel na verdade criou uma visão muito própria e particular que se enquadra em qualquer tipo regime, seja ele de esquerda ou de direita, comunista ou facista. O poder não é o meio, o poder é o fim, ele existe por ele mesmo, esse é o mote de qualquer regime totalitário.

Por isso ao lê-lo não se arme, deixe de lado suas convicções políticas, apenas imagine como seria, no fundo o livro não passa de um ensaio sobre a sociedade, uma visão de alguem que acabou de passar pela segunda guerra mundial e descreve, até certo ponto de forma caricata, como pode vir a ser o mundo dos seus descendentes no longincuo 1984.

Diferente dos outros livros sobre os quais já escrevi aqui no blog não pretendo fazer uma crítica ou mesmo uma resenha. 1984 é tão rico em conceitos que cada um deles mereceria páginas e páginas de reflexão. Por isso me reservo ao direito de apenas contextualiza-los sobre o autor e o livro, e em seguida listo os pontos que me chamaram a atenção durante a leitura. De acordo? Então vamos lá.


Esta é a sinpose retirada do site da Companhia da Letras:

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Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O'Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que "só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder, poder puro".
 

Quando foi publicada em 1949, poucos meses antes da morte do autor, essa assustadora distopia datada de forma arbitrária num futuro perigosamente próximo logo experimentaria um imenso sucesso de público. Seus principais ingredientes - um homem sozinho desafiando uma tremenda ditadura; sexo furtivo e libertador; horrores letais - atraíram leitores de todas as idades, à esquerda e à direita do espectro político, com maior ou menor grau de instrução. À parte isso, a escrita translúcida de George Orwell, os personagens fortes, traçados a carvão por um vigoroso desenhista de personalidades, a trama seca e crua e o tom de sátira sombria garantiram a entrada precoce de 1984 no restrito panteão dos grandes clássicos modernos.
 

Muitos leram 1984 como uma crítica devastadora aos belicosos totalitarismos nazifascistas da Europa, de cujos terríveis crimes o mundo ainda tentava se recuperar quando o livro veio a lume. Nos Estados Unidos, foi visto como uma fantasia de horror quase cômico voltada contra o comunismo da hoje extinta União Soviética, então sob o comando de Stálin e seu Partido único e inquestionável. No entanto, superando todas as conjunturas históricas - e até mesmo a data futurista do título -, a obra magistral de George Orwell ainda se impõe como uma poderosa reflexão ficcional sobre os excessos delirantes, mas perfeitamente possíveis, de qualquer forma de poder incontestado, seja onde for.

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Dito isso, abaixo estão os conceitos mais impactantes que listei durante a leitura e compatilho com vocês, soltos assim como eu os coloco podem parecer fortes demais, ou então vagos demais, porém com a idéia de Orwell é fazer uma crítica a sociedade, seja ela qual for, absorva-os da forma que melhor entender com o seu prórpio contexto, se este texto despertar seu interesse compre o livro e o leia. Se não dispertar, ao menos, muitos trechos abaixo dariam ótimas frases de impacto para camisetas. 

Divirta-se e fique a vontade para compatilhar nos comentários suas impressões.

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"Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado."

"Se é que há esperança, escreveu Winston, a esperança está nos proletas [...] porque só ali, naquelas massas desatendidas, naquele enxame de gente, oitenta e cinco por cento da população da Oceânia havia possibilidade que se gerasse força capaz de destruir o partido."

"Enquanto eles não se conscientizarem, não serão rebeldes autênticos e, enquanto não se rebelarem, não têm como se conscientizar."

"Não era desejável que os proletas tivessem ideias políticas sólidas. Deles só se exigia um patriotismo primitivo, que podia ser invocado sempre que fosse necessário fazê-los aceitar horários de trabalho mais longos ou rações mais reduzidas. E mesmo quando eles ficavam insatisfeitos, como as vezes acontecia, sua insatisfação não levava a lugar nenhum, porque, desprovidos de ideias gerais como eram, só conseguiam fixar-se em queixas específicas e menores. Os grandes males invariavelmente escapavam a sua atenção"

"Tudo se esmaecia na névoa. O passado fora anulado, o ato da anulação fora esquecido, a mentira se tornara verdade."

"No fim o Partido haveria de anunciar que dois mais dois são cinco, e você seria obrigado a acreditar. Era inevitável que mais cedo ou mais tarde o Partido fizesse tal afirmação: a lógica de sua posição o exigia [...] A heresia das heresias era o bom senso."

"Liberdade é a liberdade de dizer que dois mais dois são quatro. Se isso for admitido, tudo mais é decorrência."

"A Loteria, com seus prêmios semanais milionários, era o único acontecimento político que efetivamente despertava o interesse dos proletas. Era muito provável que para milhões deles a Loteria fosse o principal, senão o único, motivo para continuar vivos. Era seu deleite, sua loucura, seu analgésico, seu estimulante intelectual."


GUERRA É PAZ

LIBERDADE É ESCRAVIDÃO

IGNORÂNCIA É FORÇA


"Os proletas [...] não eram leais nem a um partido, nem a um país, nem a uma ideia: eram leais uns aos outros. Pela primeira vez na vida não desprezou os proletas nem pensou neles apenas como um força inerte que um dia despertaria para a vida para reformar o mundo."

"Os homens do partido [...] podiam arrancar de você até o último detalhe de tudo que você já tivesse feito, dito ou pensado; mas aquilo que estava no fundo de seu coração, misterioso até para você, isso permaneceria inexpugnável."

"Não há a menos possibilidade de que ocorram mudanças perceptíveis em nossa geração. Nós somos os mortos. Nossa única vida genuína repousa no futuro."

"... o objetivo de travar uma guerra é sempre estar em melhor posição para travar outra guerra."

"Contudo os perigos inerentes à máquina {a tecnologia em geral} continuam existindo. Assim que ela surgiu, ficou claro para todas as mentes pensantes que os homens já não seriam obrigados a trabalhar - e que, como consequência, em grande medida a desigualdade entre eles também desapareceria. Se a máquina fosse usada deliberadamente para esse fim, a fome, o trabalho duro, a sujeira, o analfabetismo e a doença desapareceriam em poucas gerações.[...] Mas também ficou claro que o aumento global da riqueza talvez significasse a destruição da sociedade hierárquica. Num mundo no qual todos trabalhassem pouco, tivessem o alimento necessário, vivessem numa casa com banheiro e refrigerador e possuíssem carro ou até avião, a forma mais óbvia e talvez mais importante de desigualdade já teria desaparecido. Desde o momento em que se tornasse geral, a riqueza perderia o seu caráter distintivo."

"Claro era possível imaginar uma sociedade na qual a riqueza, no sentido de bens e luxos pessoais, fosse distribuída equitativamente, enquanto o poder permanecia nas mãos de uma pequena casta privilegiada. Na prática, porém, uma sociedade desse tipo não poderia permanecer estável por muito tempo."

"O problema era: como manter as rodas da indústria em ação sem aumentar a riqueza real das pessoas? Era preciso produzir mercadorias, mas as mercadorias não podiam ser distribuídas. Na prática, a única maneira de conseguir isso foi com a guerra ininterrupta."

"Em princípio, o esforço de guerra é sempre planejado de forma a consumir todo o possível excedente, depois de atendidas as necessidades básicas da população."

"... a consciência de estar em guerra, e portanto em perigo, faz com que o comissionamento de todo poder a uma pequena casta seja visto como uma condição natural e inevitável de sobrevivência."

"... para ser eficiente era necessário ser capaz de aprender com os fatos do passado."

"[...] quando a guerra se torna, sem exagero, contínua, ela também deixa de ser perigosa. Quando a guerra é contínua, não existe isso que denominamos necessidade militar."

"O livro o fascinava, ou, mais exatamente, tranquilizava-o. Em certo sentido não lhe dizia nada de novo, o que era parte do fascínio. Dizia o que ele teria dito, se tivesse a capacidade de organizar seus pensamentos dispersos. Era o produto de uma mente semelhante à dele, porém muitíssimo mais poderosa, mais sistemática, menos amedrontada. Os melhores livros, compreendeu, são aqueles que dizem o que você já sabe."

"Ao longo de todo o tempo registrado e provavelmente desde o fim do Neolítico, existem três tipos de pessoas no mundo: as Altas, as Médias e as Baixas.[...] Os objetivos desses três grupos são inconciliáveis. O objetivo dos Altos é continuar onde estão. O objetivo do Médios é trocar de lugar com os Altos. O objetivo dos Baixos, isso quando têm um objetivo - pois uma das características marcantes dos Baixos é o fato de estarem tão oprimidos pela trabalheira que só a intervalos mantêm alguma consciência de toda e qualquer coisa externa a seu cotidiano - , é abolir todas as diferenças e criar uma sociedade na qual todos os homens sejam iguais."

"Assim, ao longo da história um conflito cujas características básicas permanecem inalteradas se repete uma ou outra vez. Durante longos períodos os Altos parecem ocupar o poder de forma absolutamente inabalável, porém mais cedo ou mais tarde sempre chega o dia em que eles perde ou a confiança em si mesmo, ou a capacidade de governar com eficiência - ou as duas coisas. São derrubados pelos Médios, que angariam o apoio dos Baixos fingindo lutar por liberdade e justiça. Nem bem atingem seu objetivo, os Médios empurram os Baixos de volta para sua posição subalterna, a fim de se tornarem eles próprios os Altos. Nesse momento um novo grupo de Médios se desprende de um dos dois outros grupo ou de ambos, e o conflito recomeça.Dos três grupos, apenas os Baixos jamais conseguem, nem temporariamente, sucesso na conquista de seus objetivos."

"Há somente quatro maneiras de um grupo dominante perder o poder: ou bem é vencido de fora, ou governa tão mal que as massas são levadas a revoltar-se, ou permite que um grupo Médio forte e descontente passe a existir, ou perde a autoconfiança e o desejo de governar. Essas causas não atuam de modo separado; quase sempre estão todas presentes em alguma medida. Uma classe dominante capaz de proteger-se de todas elas ficaria permanentemente no poder."

"As massas nunca se revoltam por iniciativa própria, e nunca se revoltam não só porque são oprimidas. Acontece que enquanto não lhes for permitido contar com termos de comparação, elas nunca chegarão sequer a dar-se conta de que são oprimidas."

"Um grupo dominante continua sendo um grupo dominante enquanto puder nomear seus sucessores. O Partido não está preocupado com a perpetuação de seu sangue, mas  com a perpetuação de si mesmo. Não importa quem exercer o poder, contanto que a estrutura hierárquica permaneça imutável."

"Crimeinterrupção significa a capacidade de estacar, como por instinto, no limiar de todo pensamento perigoso. O conceito inclui a capacidade de não entender analogias, de deixar de perceber erros lógicos, de compreender mal os argumentos mais simples, caso sejam antagônicos ao Socing {regime político do país descrito no livro}, e de sentir-se entediado ou incomodado por toda sequência de raciocínio capaz de enveredar por um rumo herético."

"Em nossa sociedade, aqueles que estão mais informados sobre o que ocorre são também os que estão mais longe de ver o mundo como ele é."

"O Partido não se interessa pelo ato em si: é só o pensamento que nos preocupa. Não nos limitamos a destruir nossos inimigos; nós os transformamos."

"Sabemos que ninguém toma o poder com o objetivo de abandoná-lo. Poder não é um meio, mas um fim. Não se estabelece uma ditadura para proteger uma revolução. Faz-se a revolução para instalar um ditadura. O objetivo da perseguição é a perseguição. O objetivo da tortura é a tortura. O objetivo do poder é o poder."

"Quanto mais poderoso for o Partido, menos tolerante será. Quanto mais fraca a oposição, tanto mais severo será o despotismo."

"A burrice era tão necessária quanto a inteligência, e igualmente difícil de ser adquirida."

"Duplipensamento significa a capacidade de abrigar simultaneamente na cabeça duas crenças contraditórias, e acreditar em ambas [...] Esse processo precisa ser consciente, ou não seria conduzido com a necessária precisão, mas também precisa ser inconsciente, do contrário traria consigo um sentimento de falsidade e, portanto, de culpa."


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domingo, 11 de maio de 2014

Copa e Olimpíadas no Brasil... o que fica é a frustração...



Imagina que você tem um grupo de amigos de infância que se reúne sempre de quatro em quatro anos para uma grande confraternização. Muitos vem de longe para a festa porque moram em outras cidades. Dessa fez você será o anfitrião e você quer que tudo seja perfeito, afinal os últimos encontros foram grandes festas e você não quer fazer feio. 

Para receber todo mundo bem você pretendia fazer algumas reformas em casa, mas a obra não andou da forma que você esperava. Algumas coisas não vão ficar prontas há tempo da festa e o custo foi bem maior do que você esperava. Para completar, recentemente você teve um tremendo arranca rabo com a sua esposa e vocês não estão se falando direito. Apesar dela achar que você está gastando demais com a festa o motivo da briga não foi só esse, vocês já não estão se dando bem faz um tempo e o clima não está bom dentro de casa. 

Há trinta dias da Copa do Mundo de 2014 e há cerca de dois anos das Olimpíadas do Rio é exatamente assim que eu me sinto. Uma tremenda festa vai acontecer aqui, querendo ou não ela vai acontecer pois seus convidados já estão a caminho, mas a nossa casa não está pronta e muito menos em clima de festa.

Lá em 2007 e 2009 quando o Brasil foi confirmado como país sede para a Copa e para as Olimpíadas eu fui um dos que comemorou muito. Como um fanático por esporte acreditei que estes eventos eram a chance de mudarmos a vida de muita gente no país, principalmente as Olimpíadas. Era a nossa chance de ter um ciclo olímpico amplo, impulsionar os esportes amadores no Brasil, criar centros de formação espalhados pelo país, apresentar esportes desconhecidos para os patrocinadores, resumindo, usar o esporte como ferramenta de transformação econômica e social.

No caso da Copa o maior legado não seriam os estádios, muito menos o turismo, e sim a infraestrutura. Principalmente em aeroportos e mobilidade urbana. Ter uma capital como São Paulo ou Rio com o Metrô integrado com o aeroporto seria totalmente possível, mas não fomos nessa direção, preferimos sonhar com um trem bala que desde o começo não passou de promessa eleitoreira (assim como o metrô de superfície de Vitória).

O sentimento para muitos brasileiros hoje é de que a Copa não é uma coisa boa e não deveria acontecer. A questão é que a Copa não é só pra gente, o mundo todo vai estar olhando para cá, e de olho não só no que acontece dentro dos estádios mas também no que acontece fora. Para o alemão, inglês, americano ou japonês que vier ao nosso pais a imagem que vai ficar é de um povo que pediu para organizar um evento e não conseguiu fazer direito.

Nós brasileiros sempre colocamos a culpa pelo nosso fracasso como nação nos outros, e ficamos todos melindrados quando um jornal estrangeiro noticia os nossas mazelas. Desculpem-me a franqueza mas quem pediu para FIFA fazer a copa aqui fomos nós, e não o contrário. Demonizar o futebol no Brasil, dizendo que quem apoia a copa é alienado pra mim é radicalismo e não leva a nada. Desculpa companheiro, se o estádio foi superfaturado e o aeroporto não ficou pronto a culpa não é do Neymar. Do mesmo modo se o Brasil for campeão, não vai ser mérito te governo nenhum.



Sei que é difícil, o assunto é polêmico, mas vou tentar ao máximo separar o esporte da política no caso da copa, sou louco por futebol e não me vejo torcendo contra a seleção, por outro lado sei que se o Brasil for campeão isso vai ser usado politicamente e isso teria consequências diretas nas eleições. Cabe a quem consegue fazer essa separação, difundir esse ponto de vista.

Já para as olimpíadas acho o caso até mais delicada, essa semana surgiu na imprensa uma notícia de que o COI teria sondado Londres, sede de 2012, e perguntado se no caso do Rio falhar na organização eles poderiam assumir os jogos de 2016. Hoje, apenas 10% das obras necessárias estariam prontas. Mesmo que isso não tenha acontecido de fato, só um boato desses ter surgido e noticiado já é uma baita vergonha.

No fim, o sentimento que fica é o de frustração, o sentimento de que estamos perdendo duas grandes chances de melhorarmos as coisas no Brasil, de darmos um passo a frente. Perdendo a chance de deixarmos de ser o "País do Futuro" e continuando a ser o país da corrupção e do jeitinho. A festa com os amigos vai acontecer, mas a casa vai continuar sem melhorar, e o clima entre o "marido" e a "esposa" tem tudo para ficar pior.

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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Carlos Alberto Sardenberg: A sinuca entre o preço da Gasolina e a Inflação


Texto de Carlos Alberto Sardenberg publicado em vários jornais pelo Brasil essa semana.

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Como conseguem?

É embaraçoso para o governo Dilma: como dizer que o automóvel particular a gasolina agora é o bandido, depois de ter passado anos dando-lhe tratamento de rei?

Não é modo de dizer. Os carros tiveram seus preços abatidos, via redução de impostos, e as montadoras locais foram apoiadas com proteção e financiamento subsidiado para aumentar a produção. Os compradores também foram brindados com enorme ampliação do crédito - nada menos que R$ 52 bilhões concedidos nos últimos dois anos.

De presente extra, a gasolina com o preço congelado e contido, para segurar a inflação e evitar a bronca dos motorizados.

Agradecidos, os brasileiros, especialmente os da nova classe média, foram à luta, quer dizer, aos bancos e concessionárias, e cumpriram sua obrigação de apoiar o crescimento do PIB. Saíram de carro por aí.

Infelizmente, a Petrobrás não conseguiu entrar na festa. Sua produção de petróleo estagnou, as refinarias não deram conta da demanda, as novas refinarias estão atrasadas, de modo que a estatal precisou importar cada vez mais gasolina. E a preços não brasileiros, claro.

Não é de estranhar que o resultado tenho saído muito errado. A inflação continuou elevada e  o crescimento permaneceu muito baixo. Sempre se pode dizer que tudo teria sido pior com a gasolina e os carros mais caros. Mas pior comparado com o que? De todo modo, o fato é que muitas outras coisas também deram errado. A Petrobrás, perdendo receita, sendo obrigada a vender gasolina mais barato do que importa, teve que se endividar. E  as ruas ficaram congestionadas, pois não se investiu na infraestrutura necessária para acolher os carros e abrir caminhos para o transporte coletivo.

Como consertar isso, considerando ainda mais que a Petrobrás precisa de dinheiro, muito dinheiro, para o pré-sal? E lembrando que o dólar caro veio para ficar?

Claro, precisa aumentar o preço da gasolina para turbinar as receitas da estatal. Quanto? Se for apenas para equilibrar o preço atual, pelo menos 20%. Se for para recuperar perdas passadas, uns 30%. 

Mas isso jogaria a inflação de novo para cima do teto da meta - 6,5% - e provocaria uma justa bronca na classe média. Qual é? Não era para comprar carro?

Que tal, então, um aumento moderado para a gasolina e para o diesel? Ruim também. Talvez pior. Provocaria inflação de qualquer jeito - pois o índice está rodando em torno do teto - não resolveria o caixa da Petrobrás e deixaria todo mundo aborrecido.

E para complicar, tem mais essa proposta do prefeito de São Paulo, Fernando Hadad, de colocar um imposto de 50 centavos por litro de gasoloina e  usar todo o dinheiro para subsidiar e reduzir tarifas de ônibus. Para efeitos de índice de inflação, a redução da tarifa compensaria a alta da gasolina, mas vá explicar para o pessoal que está tudo bem com a gasolina a R$ 4,20.

Imaginem o impacto psicolólogico e social, pois a gasolina subiria em dose dupla, uma para a Petrobrás, outra para os ônibus. E como estes passam a ter prioridade, os brasileiros que micaram com os carros pagarão mais caro para ficar em congestionamento mais demorado.

Como o governo pode ter se equivocado tanto? 

Seria uma pergunta cabível se o resto estivesse funcionando. Mas considerem apenas o que tem saído na imprensa nps últimos dias.

As usinas de Jirau e Santo Antonio, em construção no rio Madeira, vão gerar uma carga de energia que não pode ser levada pela linha de transmissão projetada. Simplesmente queimaria tudo. A linha é insuficiente. Sabe-se disse desde 2010 - e ainda estão discutindo para descobrir de quem é a culpa.

Mas deve estar sobrando energia, não é mesmo? Usinas eólicas estão prontas e paradas há um ano, por falta de linhas de transmissão.

Há uma guerra judicial no setor elétrico, com o governo tentando empurrar para empresas a conta da energia produzida nas usinas térmicas. 

Há milho para ser estocado, uma superprodução,  e armazéns da Conab fechados por falta de manutenção ou porque estocam milho... velho. 

Na política econômica, o Brasil é o único país importante que está subindo juros. É também o único emergente de peso que não pode se aproveitar do momento internacional para deixar a moeda local se desvalorizar o tanto necessário para dar muito competitividade às exportações. 

Uma ironia: a "nova matriz" do governo, alardeada pela presidente Dilma, se baseava em juro baixo e dólar caro, para ter crescimento elevado. Pois no momento em que o dólar sobe sózinho, por conta dos EUA, o BC brasileiro tem que elevar os juros e tentar segurar o dólar para controlar a inflação. E lá se vai o PIB.

Uma ironia pedagógica, se é que conseguem aprender com tantos equívocos. 

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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Petróleo traz pobreza ao Rio e pré-sal repete modelo, revela pesquisa


Em tempo de manifestações sobre a partilha dos royalties do pré-sal, é importante pensarmos em algumas coisas. Se no Espírito Santo o dinheiro do Petróleo nas mãos do governador Paulo Hartung foi a ferramenta necessária para a reconstrução do estado após o desastroso mandato de José Inácio, no norte do Rio de Janeiro ele é motivo de desgosto.

Quem já esteve em Macaé sabe do que eu estou falando. Chega a ser revoltante andar pela cidade mal cuidada sabendo que ela devia ser uma das mais prósperas e desenvolvidas do país.

É um absurdo dizer que os royalties devem ser distribuídos igualitariamente entre os estados brasileiros, pois são os estados produtores que sofrem com os aspectos negativos da produção de Petróleo (especulação imobiliária, riscos ambientais, crescimento desordenado, etc.)

Se os recursos do Petróleo devem ser divididos, porque não dividimos os royalties do minério de Carajás? e a soja do centro oeste? e a madeira da Amazônia legal? A gente pode aproveitar e acabar com a guerra do ICMS e padronizar o valor do imposto para todo país. Que tal?

Essa disputa a muito tempo deixou de ser saudável para o Brasil. Somos uma federação de estados, com riquezas e mazelas diferentes, que devem ser respeitadas e vistas pela união com olhos realmente de unidade e não de hipocrisia e ganância.

Abaixo sequem os dados de pesquisa realizada recentemente sobre o impacto do dinheiro do Petróleo no norte fluminense ao longo dos anos e também uma entrevista com o professor responsável, publicadas respectivamente no Geofísica Brasil e no Terra.

Dica enviada por Renato Freitas, vulgo Tech Buff.


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Os projetos do Congresso para a redistribuição dos royalties do pré-sal reforçam o modelo que tem trazido pobreza às cidades que recebem verba, afirma o professor Cláudio Paiva, da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp). Doutor em economia, ele pesquisou o destino do dinheiro do petróleo em cidades da Bacia de Campos, no norte do Rio de Janeiro, e verificou que a pobreza persiste apesar de muito dinheiro em mãos: é a maldição da abundância. O problema, diz, é que o recurso extra se perde em burocracia, aumento do funcionalismo e corrupção.

- Em cidades como Campos dos Goytacazes, criou-se uma maldição da riqueza. Esse dinheiro foi gasto com a máquina pública e não trouxe desenvolvimento. Com essa distribuição dos recursos do pré-sal que está sendo discutida, certamente também não traremos desenvolvimento.


CIDADE RICA: Plataforma de petróleo na Bacia de Campos - município de Campos dos Goytacazes recebeu mais de R$ 1 bilhão em royalties em 2010 (Foto: Futura Press)


CIDADE POBRE: Enchente afeta moradores do Bairro de Ururaí, em Campos dos Goytacazes. (Foto: Futura Press)

A pesquisa de Paiva aponta que investimentos em saúde e educação não foram prioritários nos últimos anos no norte fluminense. A maioria dos gastos em Campos dos Goytacazes, por exemplo, foi para dar conta do inchaço da máquina pública. O município recebeu em 2010 mais de R$ 1 bilhão pelos royalties, segundo dados do InfoRoyalties, sistema da Universidade Candido Mendes. A verba, porém, teve que dar conta de um número crescente de empregados do governo municipal. O número de pessoas empregadas no serviço público subiu de 6 mil em 2000 para 17,4 mil em 2010, três vezes mais do que os empregos no setor privado.

O projeto que redistribui recursos do pré-sal entre estados produtores e não-produtores foi aprovado no Senado sob protestos dos parlamentares do Rio de Janeiro e Espírito Santo. A proposta apresentada em substitutivo do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) diminui a verba que vai para estes Estados e a que fica com a União. O debate pouco tratou das áreas de aplicação das verbas e acabou centrado no embate entre Estados por mais recursos. Em trecho em que explica como deve ser aplicado o dinheiro dos chamados Fundos Participativos, o texto do senado lista uma infinidade de setores que vão da defesa civil ao combate as drogas.

Campos dos Goytacazes é a cidade brasileira que mais recebeu recursos do petróleo ao longo da historia, mesmo antes de se descobrir o pré-sal. O município levava cerca de 32% dos royalties do petróleo em 2008, conforme apontou a pesquisa da Unesp. Mas a qualidade de vida da população não melhorou. A cidade tem um PIB (Produto Interno Bruto) per capta de R$ 67.445,76, de acordo com o IBGE. O número é três vezes maior que o PIB per capta de Niterói, de R$ 19.317,72. Ainda assim, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) em Campos coloca a cidade 54 posições abaixo de Niterói no ranking fluminense. O índice de Niterói - 0,886 numa escala em que o máximo é 1 - é o melhor do Rio, enquanto o de Campos é apenas 0,752. Isso significa que a riqueza do PIB não está sendo convertida em desenvolvimento da educação, saúde e em distribuição de renda.
Cidades destacadas em laranja escuro pertencem a região do norte fluminense que mais recebe royalties: aumento de gastos com a máquina pública não garantiu melhora no desenvolvimento humano (Fontes: InfoRoyalties, a partir de Agência Nacional do Petróleo e Ministério do Trabalho/Pnud)

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Leia a entrevista do pesquisador Cláudio Paiva.

Terra Magazine - Qual a sua leitura do projeto de distribuição dos royalties do pré-sal aprovado no Senado na última semana?

Cláudio Paiva - A disputa federativa é legítima, mas o que aconteceu no Senado foi uma disputa fratricida. Precisávamos que o debate fosse sobre um projeto de nação, pois o pré-sal é uma oportunidade única de enfrentamento de problemas regionais e sociais históricos. O que a gente viu foi cada Estado olhando seu caso particular. Me parece um debate muito pobre. Perdemos uma chance histórica de transformação da sociedade brasileira.

Sua pesquisa mostra que as cidades do Rio vivem na pobreza apesar dos recursos do petróleo. Corremos o risco de reproduzir esse padrão com os recursos do pré-sal?

Em cidades como Campos (dos Goytacazes), criou-se uma maldição da riqueza. Esse dinheiro foi gasto com a máquina pública e não trouxe desenvolvimento. Com essa distribuição dos recursos do pré-sal, certamente não traremos desenvolvimento. É importante que a gente olhe as experiências passadas. Desde a Lei do Petróleo, nós temos a experiência da elevada concentração de recursos do petróleo na cidade de Campos, por exemplo. Os municípios do Rio de Janeiro são os que mais recebem recursos do petróleo. Isso foi muito ruim. Levou a corrupção, não melhorou a saúde, não melhorou a habitação, não melhorou educação. A infraestrutura do município é muito precária. Nós temos essa possibilidade de olhar a experiência passada e ver que o formato aprovado no Senado é muito ruim. Destinar os recursos do pré-sal para Estados e municípios gastarem com folha de pagamento, com previdência ou com obras de cunho eleitoral é má utilização do dinheiro público. É importantíssimo que esse dinheiro não vá para o ralo.

Durante os debates sobre a distribuição dos royalties no Senado, faltou discutir onde aplicar?

Nós tínhamos que olhar para como promover a redução das desigualdades regionais e sociais. A pulverização do fundo por muitas áreas diversas e muitos municípios é ruim. A previsão inicial é investir em educação, infraestrutura, cultura, saúde, segurança, meio ambiente, defesa civil... tem até prevenção do uso de drogas. São muitas áreas, isso não vai levar o país a um desenvolvimento pleno.

Qual seria um modelo mais adequado, na sua opinião?

Precisamos de uma ação mais focalizada, escolher dois ou três setores e fazer maciços investimentos. Setores como educação, pesquisa e infraestrutura. O correto não seria fazer essa total distribuição, mas agregar mais recursos para que você fizesse um investimento que pudesse mudar nosso padrão de desenvolvimento. O segundo ponto é a ideia de que é necessário estabelecer um controle social muito forte sobre esses recursos. É muito dinheiro para dar uma liberdade extrema aos governantes. É necessário que o controle social seja pleno.

Terra Magazine - Terça, 25 de outubro de 2011 - Dayanne Sousa

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Carro flex pode fracassar, dizem usineiros

No Espirito Santo já faz muito tempo que o álcool não vale a pena, mesmo com o preço alto da gasolina no estado. Apesar de sentir saudades do meu Corsa Wind 96 a gasolina, (vulgo azeitona) que fazia fácil 12km/l na cidade, eu torço para o programa flex dar certo. É uma tecnologia, que se conseguirmos manter economicamente viável, pode render a nós brasileiros uma bela carta na manga para o futuro.

Confira a matéria publicada na folha de São Paulo do último domingo sobre a posição dos usineiros.

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Por Tatiana Freitas, São Paulo

Diante da queda de competitividade do álcool em relação à gasolina e da falta de um plano estrutural para o setor, os produtores de cana começam a admitir a possibilidade de o programa flex fuel fracassar, como ocorreu com o Pró-Álcool.

O presidente da Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar), Marcos Jank, disse ontem que, se não houver mudanças mudanças significativas no setor, o consumo de etanol hidratado deve cair ainda mais, diminuindo o interesse dos consumidores e da indústria nos carros flex.

Segundo os dados mais recentes da ANP (Agência Nacional do Petróleo), as vendas de etanol hidratado pelas distribuidoras caíram 22% no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2010.

Em contrapartida, as vendas de gasolina subiram 15% no mesmo intervalo.

"Se não houver alta da gasolina, mudança na Cide [tributo incidente sobre os combustíveis] e redução importante de custos, a produção de hidratado não vai crescer, o consumo dos carros flex vai crescer cada vez menos e vai desestimular a produção dos automóveis flex", disse.

"Se não fizermos nada pelo hidratado, a tendência é que apenas o anidro cresça", acrescentou. O etanol anidro é misturado à gasolina, enquanto o hidratado abastece diretamente os carros flex.

PREÇO

O motivo da queda nas vendas do hidratado é o preço. Diante da estabilidade do valor da gasolina no mercado interno, o álcool tornou-se menos atrativo para o motorista --a Petrobras não mexe no preço da gasolina nas refinarias desde 2009.

Na semana passada, era mais vantajoso para o consumidor abastecer seu carro flex com etanol em apenas quatro Estados, segundo pesquisa da ANP: São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Tocantins.

Nos outros, o litro do hidratado custava 70% (ou mais) do valor litro da gasolina.

"O consumidor escolhe pelo bolso", disse Adriano Pires, presidente do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura). "Corremos o grande risco de acabar com o carro flex, da mesma forma como acabou o carro a álcool. A história se repete", acrescentou.

PLANEJAMENTO

A falta de um planejamento estratégico para o setor é outra queixa dos usineiros.

Os investimentos em canaviais estão praticamente paralisados desde a crise financeira de 2008, e os produtores aguardam uma sinalização do governo para investir.

Hoje, as usinas conseguem abastecer com álcool apenas 45% da frota flex, segundo estimativa da Unica.

Mas, para o presidente da Açúcar Guarani, Jacyr Costa Filho, não é possível comparar o fracasso do Pró-Álcool com a crise atual do setor.

"A diferença é que agora o consumidor pode escolher entre o álcool e a gasolina no momento da compra do combustível, não ao comprar o carro", afirma.

fonte:Jornal folha de São Paulo, reportagem Tatiana Freitas.




sexta-feira, 27 de maio de 2011

Procuradoria começa a apurar patrimônio de Palocci


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Chegou a hora de usarmos as brechas na lei contra os que se escondem dela. Parabéns ao procurador José Rocha Junior pela iniciativa de abrir invstigação sobre o acúmulo de bens do Palocci.

Alguem na posição do Ministro não pode se negar a dar esclarecimentos sobre algo tão grave. É claro que a oposição quer se valer do caso para fins políticos, mas isso em nada justifica a falta de transparência. E aí é que a iniciativa do procurador merece todo o nosso reconhecimento, pois vem de uma entidade a-partidária, ligada ao executivo e com autonomia para conduzir uma investigação séria, longe dos circos das CPI´s criadas no congresso.

Parabéns procurador José Rocha Junior, tomará que deixem você ir até o final do seu trabalho!

Leia notícia na integra abaixo.
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O Ministério Público Federal abriu investigação contra o ministro Antonio Palocci. Deseja-se apurar se o chefe da Casa Civil enriqueceu ilicitamente. Deve-se a iniciativa ao procurador da República José Rocha Júnior, lotado no Distrito Federal.

Em notícia veiculada na Folha, as repórteres Andreza Matais e Fernanda Odila informam que José Rocha expediu dois ofícios. Num, dirigido à Receita Federal, requisitou as declarações de Imposto de Renda da Projeto, a consultoria de Palocci. Noutro, dirigido à empresa, requereu a relação dos clientes que se serviram da consultoria companheira de Palocci.

O procurador quer verificar se o salto patrimonial de Palocci e compatível com o faturamento de sua empresa. Em caso de inconsistências, Palocci pode tornar-se alvo de uma ação judicial por improbidade administrativa. José Rocha justificou assim a abertura da apuração contra o ministro:

"Não foram apresentados publicamente justificativas que permitam aferir a compatibilidade dos serviços prestados com os vultosos valores recebidos".

A novidade chega antes da resposta de Palocci ao pedido de esclarecimentos enviado a ele pelo procurador-geral da República Roberto Gurgel. Gurgel deu a Palocci um prazo de 15 dias para explicar como seu patrimônio foi multipicado em 20 vezes num intervalo de quatro anos.

Como ministro, Palocci dispõe de foro privilegiado. Em matéria criminal, só pode ser denunciado pelo procurador-geral e processado no STF. Para desassossego do ministro, porém, a ação por improbidade, de natureza cívil, pode ser movida por qualquer procurador.


Fonte: http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br

Josias de Souza, 45, é jornalista desde 1984. Trabalha na Folha de S.Paulo há 20 anos.

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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Vila Velha a Veneza Capixaba

Veneza, cidade italiana conhecida mundialmente pelos seus canais que se estendem por uma área de aproximadamente 410km2, classificada pela Unesco como Patrimônio da humanidade, recebe milhões de turistas por ano.

Com o Real forte atualmente, muitos brasileiros tem viajado para o exterior e conhecido cidades como Veneza. Mas para que? Eu te pergunto, para que? Se graças as nossas autoridades nós temos Vila Velha!

Veneza Capixaba


Vila Velha italiana

A situação em Vila Velha fica caótica sempre que chove. Os problemas estão na geografia que não ajuda, mas principalmente na falta de infraestrutura do município. Não dá pra culpar somente o atual prefeito, já que esse problema vem de longa data, muitos passaram por aquela cadeira, mas nenhum resolveu e para falar a verdade poucos tentaram. É mais fácil ir pra televisão e dizer que a culpa é da maré alta! (??????) Como assim seu prefeito? Quer dizer que não pode chover quando a maré tá alta? Deve ser por isso que há quase 500 anos atrás construíram o convento da Penha em cima da montanha né! Porque eu posso te garantir, naquela época a maré funcionava do mesmo jeitinho que funciona hoje.

Voltando ao problema, fiz uma pesquisa rápida sobre o que já se tentou fazer para resolver e achei uma noticia de 2003 no site da prefeitura falando sobre o andamento das obras da macrodrenagem (http://www.vilavelha.es.gov.br/Not%C3%ADcias/Geral/5812-PMVV-assina-protocolo-de-inten.html?ccedil-=&otilde-es-com-a-Caixa-para-obras-de-macrodrenagem=). Na época prometeu-se acabar de vez com os alagamentos. As cifras são altas, 735 milhões pra cá 810 milhões pra lá, mas o problema não se resolveu.

O atual prefeito declarou essa semana que precisa de mais 500milhões para resolver o problema de vez. Fala sério! Vocês nunca jogaram SymCity na vida não? Daqui a pouco tá valendo a pena demolir tudo e construir a cidade em outro lugar! Dinheiro público não cresce em árvore não rapaziada.

O problema de Vila Velha é que todo prefeito que chega acha que a cidade é só a Avenida Champagnat e a Praia da Costa. Cada um que chega quebra tudo pra fazer um novo canteiro, o outro pra mudar o paisagismo, o outro pra pintar de amarelo e laranja, e agora o atual resolveu quebrar tudo de novo pra botar aquela bendita ciclovia. Prefeito a ideia é boa, mas precisava ser ali? Além de arrancarem as árvores, vocês tão acabando com o comércio do centro (outro dia eu vi uma senhora sair de uma loja arrumando a sacola de compras e quase ser atropelada por uma bicicleta).

Porque não fizeram essa ciclovia na 15 de novembro, ou na castelo branco??? São paralelas, começam no centro e terminam na praia? O transtorno não seria menor e o benefício não seria o mesmo?

Isso tudo é uma pena, porque apesar desses descasos com Vila Velha, a cidade tem uma ótima qualidade de vida. Nasci e fui criado lá, vim pra Vitória há dois anos quando casei, mas pretendo voltar um dia. Tô pensando até em fazer um curso de Gondoleiro pra tirar uma grana extra quando me aposentar!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010

Essa semana fui fazer minhas compras de natal. Como todo final de ano teremos o tradicional amigo X em família. Um na casa dos meus pais, outro na casa dos meus sogros. Como sempre, estipulamos um valor médio para os presentes que na prática todo mundo estrapola, principalmente meu pai e meu sogro. Todo mundo quer ser o amigo desses dois. Eu particularmente já fui e me dei bem!

Enquanto comprava meus presentes, tarefa que como qualquer homem normal odeio fazer. Comecei a fazer minha retrospectiva desse ano. 2010 foi um ano muito bom em vários aspéctos e merece ser celebrado.

Esse ano ganhei um presente de Deus, minha filha nasceu com saúde, cheia de energia e alegria. Quando ela acorda as 3h da manhã gargalhando no berço as vezes acho que é alegria até demais, mas logo ela me contagia e tenho que me segurar pra não entrar na brincadeira, afinal tenho que trabalhar no dia seguinte. Minha vida mudou drasticamente, como pais de primeira viagem minha esposa e eu queremos fazer tudo da melhor forma possível, e isso toma tempo. Mas valhe muito, muito a pena. Até os 5kg que ganhei por parar de pedalar e correr.

Se não bastasse Mariana, também ganhei uma afilhada, minha sobrinha Vittória nasceu em outubro e nesse natal teremos bebes de verdade no presépio! Essas duas vão ser a tampa e panela, já to até imaginando.

No esporte meu time foi campeão depois de 25 anos na fila. E como eu sofri nessa fila. Quantas vezes ouvi as notícias de que havia sido montado um time bom sobre o comando de um Marcus Nunes da vida, comprei meu ingresso, fui no primeiro jogo e não voltei mais. Muito triste. Desses 25 anos muitos deles o Rio Branco nem chegou perto de brigar pelo título. Mas de 2008 pra cá isso mudou, o time se estruturou, chegou muito perto duas vezes e esse ano finalmente aconteceu. DÁ-LHE Brancão.

Na política também foi um ano bom, apesar de não concordar com a maioria que elegeu Dilma nossa nova presidente, como amante da Democracia sou obrigado a reconhece-la como tal. E cada vez que conseguimos eleger nossos líderes de forma civilizada a democracia se fortalece. Mas não confundam, reconhece-la como presidente não me impede de expor minhas opiniões quando elas forem contrárias, a democracia me garante esse direito e provavelmente use esses espaço no blog para isso.

Enfim, depois de 2 horas intermináveis de compras, com lojas cheias e vendedores irritantes, finalmente cheguei em casa e forrei o pé da árvore de natal com os presentes. Mas tudo vale a pena, não pelo presente que vou ganhar em troca, mas pela celebração do Natal com quem você gosta.

Final de ano é época de comemorar, de estar junto com aqueles que você chama de familia. Para nós católicos, a preparação do advento é um momento de reflexão sobre a vida que culmina com a celebração do natal em comunidade. Não deixe passar em branco!

Feliz natal a todos e um próspero 2011!

Ah, já ia esquecendo, como teremos o verão mais quente dos últimos anos em 2011, Mariana tem um recado.

Nesse verão beba bastante água!