terça-feira, 16 de agosto de 2011

Carro flex pode fracassar, dizem usineiros

No Espirito Santo já faz muito tempo que o álcool não vale a pena, mesmo com o preço alto da gasolina no estado. Apesar de sentir saudades do meu Corsa Wind 96 a gasolina, (vulgo azeitona) que fazia fácil 12km/l na cidade, eu torço para o programa flex dar certo. É uma tecnologia, que se conseguirmos manter economicamente viável, pode render a nós brasileiros uma bela carta na manga para o futuro.

Confira a matéria publicada na folha de São Paulo do último domingo sobre a posição dos usineiros.

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Por Tatiana Freitas, São Paulo

Diante da queda de competitividade do álcool em relação à gasolina e da falta de um plano estrutural para o setor, os produtores de cana começam a admitir a possibilidade de o programa flex fuel fracassar, como ocorreu com o Pró-Álcool.

O presidente da Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar), Marcos Jank, disse ontem que, se não houver mudanças mudanças significativas no setor, o consumo de etanol hidratado deve cair ainda mais, diminuindo o interesse dos consumidores e da indústria nos carros flex.

Segundo os dados mais recentes da ANP (Agência Nacional do Petróleo), as vendas de etanol hidratado pelas distribuidoras caíram 22% no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2010.

Em contrapartida, as vendas de gasolina subiram 15% no mesmo intervalo.

"Se não houver alta da gasolina, mudança na Cide [tributo incidente sobre os combustíveis] e redução importante de custos, a produção de hidratado não vai crescer, o consumo dos carros flex vai crescer cada vez menos e vai desestimular a produção dos automóveis flex", disse.

"Se não fizermos nada pelo hidratado, a tendência é que apenas o anidro cresça", acrescentou. O etanol anidro é misturado à gasolina, enquanto o hidratado abastece diretamente os carros flex.

PREÇO

O motivo da queda nas vendas do hidratado é o preço. Diante da estabilidade do valor da gasolina no mercado interno, o álcool tornou-se menos atrativo para o motorista --a Petrobras não mexe no preço da gasolina nas refinarias desde 2009.

Na semana passada, era mais vantajoso para o consumidor abastecer seu carro flex com etanol em apenas quatro Estados, segundo pesquisa da ANP: São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Tocantins.

Nos outros, o litro do hidratado custava 70% (ou mais) do valor litro da gasolina.

"O consumidor escolhe pelo bolso", disse Adriano Pires, presidente do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura). "Corremos o grande risco de acabar com o carro flex, da mesma forma como acabou o carro a álcool. A história se repete", acrescentou.

PLANEJAMENTO

A falta de um planejamento estratégico para o setor é outra queixa dos usineiros.

Os investimentos em canaviais estão praticamente paralisados desde a crise financeira de 2008, e os produtores aguardam uma sinalização do governo para investir.

Hoje, as usinas conseguem abastecer com álcool apenas 45% da frota flex, segundo estimativa da Unica.

Mas, para o presidente da Açúcar Guarani, Jacyr Costa Filho, não é possível comparar o fracasso do Pró-Álcool com a crise atual do setor.

"A diferença é que agora o consumidor pode escolher entre o álcool e a gasolina no momento da compra do combustível, não ao comprar o carro", afirma.

fonte:Jornal folha de São Paulo, reportagem Tatiana Freitas.




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