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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

1984 - George Orwell

Sabe aquele tipo de livro que te faz pensar, que faz você ver as coisas por ângulos diferentes? Pois bem, 1984 de George Orwell vai fazer sua cabeça explodir com a sua forma de descrever o poder e a política, e o melhor, vai fazer isso com a sutileza de quem sabe explicar o seu raciocínio com clareza e didática, quase como uma professora do pré-primário.

Apesar de nos Estados Unidos ter sido tido como uma crítica ao comunismo, George Orweel na verdade criou uma visão muito própria e particular que se enquadra em qualquer tipo regime, seja ele de esquerda ou de direita, comunista ou facista. O poder não é o meio, o poder é o fim, ele existe por ele mesmo, esse é o mote de qualquer regime totalitário.

Por isso ao lê-lo não se arme, deixe de lado suas convicções políticas, apenas imagine como seria, no fundo o livro não passa de um ensaio sobre a sociedade, uma visão de alguem que acabou de passar pela segunda guerra mundial e descreve, até certo ponto de forma caricata, como pode vir a ser o mundo dos seus descendentes no longincuo 1984.

Diferente dos outros livros sobre os quais já escrevi aqui no blog não pretendo fazer uma crítica ou mesmo uma resenha. 1984 é tão rico em conceitos que cada um deles mereceria páginas e páginas de reflexão. Por isso me reservo ao direito de apenas contextualiza-los sobre o autor e o livro, e em seguida listo os pontos que me chamaram a atenção durante a leitura. De acordo? Então vamos lá.


Esta é a sinpose retirada do site da Companhia da Letras:

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Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O'Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que "só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder, poder puro".
 

Quando foi publicada em 1949, poucos meses antes da morte do autor, essa assustadora distopia datada de forma arbitrária num futuro perigosamente próximo logo experimentaria um imenso sucesso de público. Seus principais ingredientes - um homem sozinho desafiando uma tremenda ditadura; sexo furtivo e libertador; horrores letais - atraíram leitores de todas as idades, à esquerda e à direita do espectro político, com maior ou menor grau de instrução. À parte isso, a escrita translúcida de George Orwell, os personagens fortes, traçados a carvão por um vigoroso desenhista de personalidades, a trama seca e crua e o tom de sátira sombria garantiram a entrada precoce de 1984 no restrito panteão dos grandes clássicos modernos.
 

Muitos leram 1984 como uma crítica devastadora aos belicosos totalitarismos nazifascistas da Europa, de cujos terríveis crimes o mundo ainda tentava se recuperar quando o livro veio a lume. Nos Estados Unidos, foi visto como uma fantasia de horror quase cômico voltada contra o comunismo da hoje extinta União Soviética, então sob o comando de Stálin e seu Partido único e inquestionável. No entanto, superando todas as conjunturas históricas - e até mesmo a data futurista do título -, a obra magistral de George Orwell ainda se impõe como uma poderosa reflexão ficcional sobre os excessos delirantes, mas perfeitamente possíveis, de qualquer forma de poder incontestado, seja onde for.

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Dito isso, abaixo estão os conceitos mais impactantes que listei durante a leitura e compatilho com vocês, soltos assim como eu os coloco podem parecer fortes demais, ou então vagos demais, porém com a idéia de Orwell é fazer uma crítica a sociedade, seja ela qual for, absorva-os da forma que melhor entender com o seu prórpio contexto, se este texto despertar seu interesse compre o livro e o leia. Se não dispertar, ao menos, muitos trechos abaixo dariam ótimas frases de impacto para camisetas. 

Divirta-se e fique a vontade para compatilhar nos comentários suas impressões.

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"Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado."

"Se é que há esperança, escreveu Winston, a esperança está nos proletas [...] porque só ali, naquelas massas desatendidas, naquele enxame de gente, oitenta e cinco por cento da população da Oceânia havia possibilidade que se gerasse força capaz de destruir o partido."

"Enquanto eles não se conscientizarem, não serão rebeldes autênticos e, enquanto não se rebelarem, não têm como se conscientizar."

"Não era desejável que os proletas tivessem ideias políticas sólidas. Deles só se exigia um patriotismo primitivo, que podia ser invocado sempre que fosse necessário fazê-los aceitar horários de trabalho mais longos ou rações mais reduzidas. E mesmo quando eles ficavam insatisfeitos, como as vezes acontecia, sua insatisfação não levava a lugar nenhum, porque, desprovidos de ideias gerais como eram, só conseguiam fixar-se em queixas específicas e menores. Os grandes males invariavelmente escapavam a sua atenção"

"Tudo se esmaecia na névoa. O passado fora anulado, o ato da anulação fora esquecido, a mentira se tornara verdade."

"No fim o Partido haveria de anunciar que dois mais dois são cinco, e você seria obrigado a acreditar. Era inevitável que mais cedo ou mais tarde o Partido fizesse tal afirmação: a lógica de sua posição o exigia [...] A heresia das heresias era o bom senso."

"Liberdade é a liberdade de dizer que dois mais dois são quatro. Se isso for admitido, tudo mais é decorrência."

"A Loteria, com seus prêmios semanais milionários, era o único acontecimento político que efetivamente despertava o interesse dos proletas. Era muito provável que para milhões deles a Loteria fosse o principal, senão o único, motivo para continuar vivos. Era seu deleite, sua loucura, seu analgésico, seu estimulante intelectual."


GUERRA É PAZ

LIBERDADE É ESCRAVIDÃO

IGNORÂNCIA É FORÇA


"Os proletas [...] não eram leais nem a um partido, nem a um país, nem a uma ideia: eram leais uns aos outros. Pela primeira vez na vida não desprezou os proletas nem pensou neles apenas como um força inerte que um dia despertaria para a vida para reformar o mundo."

"Os homens do partido [...] podiam arrancar de você até o último detalhe de tudo que você já tivesse feito, dito ou pensado; mas aquilo que estava no fundo de seu coração, misterioso até para você, isso permaneceria inexpugnável."

"Não há a menos possibilidade de que ocorram mudanças perceptíveis em nossa geração. Nós somos os mortos. Nossa única vida genuína repousa no futuro."

"... o objetivo de travar uma guerra é sempre estar em melhor posição para travar outra guerra."

"Contudo os perigos inerentes à máquina {a tecnologia em geral} continuam existindo. Assim que ela surgiu, ficou claro para todas as mentes pensantes que os homens já não seriam obrigados a trabalhar - e que, como consequência, em grande medida a desigualdade entre eles também desapareceria. Se a máquina fosse usada deliberadamente para esse fim, a fome, o trabalho duro, a sujeira, o analfabetismo e a doença desapareceriam em poucas gerações.[...] Mas também ficou claro que o aumento global da riqueza talvez significasse a destruição da sociedade hierárquica. Num mundo no qual todos trabalhassem pouco, tivessem o alimento necessário, vivessem numa casa com banheiro e refrigerador e possuíssem carro ou até avião, a forma mais óbvia e talvez mais importante de desigualdade já teria desaparecido. Desde o momento em que se tornasse geral, a riqueza perderia o seu caráter distintivo."

"Claro era possível imaginar uma sociedade na qual a riqueza, no sentido de bens e luxos pessoais, fosse distribuída equitativamente, enquanto o poder permanecia nas mãos de uma pequena casta privilegiada. Na prática, porém, uma sociedade desse tipo não poderia permanecer estável por muito tempo."

"O problema era: como manter as rodas da indústria em ação sem aumentar a riqueza real das pessoas? Era preciso produzir mercadorias, mas as mercadorias não podiam ser distribuídas. Na prática, a única maneira de conseguir isso foi com a guerra ininterrupta."

"Em princípio, o esforço de guerra é sempre planejado de forma a consumir todo o possível excedente, depois de atendidas as necessidades básicas da população."

"... a consciência de estar em guerra, e portanto em perigo, faz com que o comissionamento de todo poder a uma pequena casta seja visto como uma condição natural e inevitável de sobrevivência."

"... para ser eficiente era necessário ser capaz de aprender com os fatos do passado."

"[...] quando a guerra se torna, sem exagero, contínua, ela também deixa de ser perigosa. Quando a guerra é contínua, não existe isso que denominamos necessidade militar."

"O livro o fascinava, ou, mais exatamente, tranquilizava-o. Em certo sentido não lhe dizia nada de novo, o que era parte do fascínio. Dizia o que ele teria dito, se tivesse a capacidade de organizar seus pensamentos dispersos. Era o produto de uma mente semelhante à dele, porém muitíssimo mais poderosa, mais sistemática, menos amedrontada. Os melhores livros, compreendeu, são aqueles que dizem o que você já sabe."

"Ao longo de todo o tempo registrado e provavelmente desde o fim do Neolítico, existem três tipos de pessoas no mundo: as Altas, as Médias e as Baixas.[...] Os objetivos desses três grupos são inconciliáveis. O objetivo dos Altos é continuar onde estão. O objetivo do Médios é trocar de lugar com os Altos. O objetivo dos Baixos, isso quando têm um objetivo - pois uma das características marcantes dos Baixos é o fato de estarem tão oprimidos pela trabalheira que só a intervalos mantêm alguma consciência de toda e qualquer coisa externa a seu cotidiano - , é abolir todas as diferenças e criar uma sociedade na qual todos os homens sejam iguais."

"Assim, ao longo da história um conflito cujas características básicas permanecem inalteradas se repete uma ou outra vez. Durante longos períodos os Altos parecem ocupar o poder de forma absolutamente inabalável, porém mais cedo ou mais tarde sempre chega o dia em que eles perde ou a confiança em si mesmo, ou a capacidade de governar com eficiência - ou as duas coisas. São derrubados pelos Médios, que angariam o apoio dos Baixos fingindo lutar por liberdade e justiça. Nem bem atingem seu objetivo, os Médios empurram os Baixos de volta para sua posição subalterna, a fim de se tornarem eles próprios os Altos. Nesse momento um novo grupo de Médios se desprende de um dos dois outros grupo ou de ambos, e o conflito recomeça.Dos três grupos, apenas os Baixos jamais conseguem, nem temporariamente, sucesso na conquista de seus objetivos."

"Há somente quatro maneiras de um grupo dominante perder o poder: ou bem é vencido de fora, ou governa tão mal que as massas são levadas a revoltar-se, ou permite que um grupo Médio forte e descontente passe a existir, ou perde a autoconfiança e o desejo de governar. Essas causas não atuam de modo separado; quase sempre estão todas presentes em alguma medida. Uma classe dominante capaz de proteger-se de todas elas ficaria permanentemente no poder."

"As massas nunca se revoltam por iniciativa própria, e nunca se revoltam não só porque são oprimidas. Acontece que enquanto não lhes for permitido contar com termos de comparação, elas nunca chegarão sequer a dar-se conta de que são oprimidas."

"Um grupo dominante continua sendo um grupo dominante enquanto puder nomear seus sucessores. O Partido não está preocupado com a perpetuação de seu sangue, mas  com a perpetuação de si mesmo. Não importa quem exercer o poder, contanto que a estrutura hierárquica permaneça imutável."

"Crimeinterrupção significa a capacidade de estacar, como por instinto, no limiar de todo pensamento perigoso. O conceito inclui a capacidade de não entender analogias, de deixar de perceber erros lógicos, de compreender mal os argumentos mais simples, caso sejam antagônicos ao Socing {regime político do país descrito no livro}, e de sentir-se entediado ou incomodado por toda sequência de raciocínio capaz de enveredar por um rumo herético."

"Em nossa sociedade, aqueles que estão mais informados sobre o que ocorre são também os que estão mais longe de ver o mundo como ele é."

"O Partido não se interessa pelo ato em si: é só o pensamento que nos preocupa. Não nos limitamos a destruir nossos inimigos; nós os transformamos."

"Sabemos que ninguém toma o poder com o objetivo de abandoná-lo. Poder não é um meio, mas um fim. Não se estabelece uma ditadura para proteger uma revolução. Faz-se a revolução para instalar um ditadura. O objetivo da perseguição é a perseguição. O objetivo da tortura é a tortura. O objetivo do poder é o poder."

"Quanto mais poderoso for o Partido, menos tolerante será. Quanto mais fraca a oposição, tanto mais severo será o despotismo."

"A burrice era tão necessária quanto a inteligência, e igualmente difícil de ser adquirida."

"Duplipensamento significa a capacidade de abrigar simultaneamente na cabeça duas crenças contraditórias, e acreditar em ambas [...] Esse processo precisa ser consciente, ou não seria conduzido com a necessária precisão, mas também precisa ser inconsciente, do contrário traria consigo um sentimento de falsidade e, portanto, de culpa."


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quinta-feira, 3 de abril de 2014

The Game of Thrones: O Cavaleiro dos Sete Reinos

Um livro curto, com o mesmo estilo de narrativa, nostálgico para os fans das crônicas de gelo e fogo e definitivamente prazeroso de se ler. 


Em "O Cavaleiro dos Sete Reinos" (Tales of Dunk and Egg) mais uma vez nosso amigo George R.R. Martin nos leva para o continente de Westeros, desda vez 90 anos antes dos acontecimentos narrados nas Crônicas de Gelo e Fogo. O livro é dividido em três contos de aproximadamente 140 páginas cada um e que foram originalmente publicados em diferentes antologias...


domingo, 9 de março de 2014

The Game of Thrones : Livro sobre a história de Westeros será lançado esse ano (The World of Ice and Fire)

Nosso amigo George R. R. Martin divulgou ontem no seu blog que tirou um dos macacos do seu ombro. Ele disse que terminou de escrever sua parte na "enciclopédia" das Crônicas de Gelo e Fogo (The World of Ice and Fire), livro que trará informação sobre o reino de Westeros e sua história.



Ao que parece, essa obra pretende fazer com os livros da série o mesmo que o Silmarillion fez com o Senhor dos Anéis, expandindo o universo dos livros originais e contanto a origem dos Reinos e Casas de Westeros. Não ficou claro ainda como ele será estruturado, se serão contos separados, uma longa narrativa única, ou uma enciclopédia mesmo servindo como um catálogo de referência. 

Martin diz que ela será lançada ainda esse ano no final do outono no hemisfério norte (outubro para nós aqui no Brasil). Resta saber quando será traduzida e lançada em português.

A má notícia é que ainda não há previsão de lançamento para o sexto livro da série, The Winds of Winter, que Martin continua escrevendo. 

Tomara que agora que ele tirou mais essa pendência da sua lista ele possa focar em continuar com a série. 

Estamos todos na espera, pois afinal ".... the winter is comming".

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domingo, 28 de julho de 2013

The Game of Thrones: HBO pressiona Martin sobres os próximos livros


Na última semana os executivos da HBO pressionaram, de leve, o autor George R R Marin sobre o lançamento dos próximos livros da série. Originalmente "As crônicas de Gelo e Fogo" está prevista para terminar no sétimo livro. Como ainda faltam dois livros a mensagem do executivo da HBO foi curta e direta, "get busy writting" (fique ocupado escrevendo).

Atualmente a HBO começou as gravações da quarta temporada da série prevista para estréia no começo do ano que vem, nela veremos a segunda parte do terceiro livro, portanto a principio não haveria motivos para achar que a série alcançaria Martin e eles ficariam sem estorias pra contar ou tendo que enrolar. Mas se considerarmos que Martin já não é mais uma criança e tem levado quatro ou cincos anos entre um livro e outro, eles tem sim motivos pra estarem preocupados.

Outra questão que deve estar deixando o pessoal da HBO com os cabelos em pé é como eles vão adaptar os livros 4 e 5. Os dois volumes são cronologicamente simultâneos mas separados geograficamente. Não acho que seja um formato adequado pra série pois ficaríamos muito tempo sem ver determinados personagens, e na temporada seguinte seriam necessários vários flash backs pra conectar as duas temporadas. Tomara que eles resolvam esse quebra cabeças.

A previsão de lançamento para o sexto livro é 2014, mas Martin já adiou lançamentos antes. Tomara que a pressão da HBO ajude!



quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

The Game of Thrones : Livro 5 - A Dança dos Dragões

Fim do quinto ato! Dragões senhores, finalmente temos dragões. Em um livro perturbador Martin continua provocando seus leitores, movendo as peças no seu  tabuleiro gigante, encerrando alguns mistérios e criando vários outros.

Recordando um pouco da série, por uma decisão editorial o autor acabou dividindo o que seria o quarto livro em dois.  Manteve-se os acontecimentos de Westeros em O Festim dos Corvos e os personagens da Muralha e das Cidade Livres de Essos para o quinto, A Dança dos Dragões. Desta forma os dois livros são cronologicamente paralelos até um pouco depois da metade do quinto, quando as narrativas se juntam novamente e passam a ser uma coisa só.

Quanto terminei de ler o quarto confesso que estava com saudades de Daenerys e Tyrion. Enquanto a Daenerys tenta se manter como rainha de Meereen, a terceira cidade da baia dos escravos, Tyrion é um refugiado pelas cidades livres com a cabeça a prêmio acusado de ser um assassino de familiares.

Daenerys vinha se comportando cada vez menos como criança e cada vez mais como uma rainha, porém quando ela decide dar mais atenção para a cidade do que para os seus dragões ela começa a botar os pés pelas mãos e o ideal de retomar o trono de ferro começa  a ficar esquecido. Em certos momentos chega a dar raiva porque você acaba percebendo onde as decisões dela vão dar. 

Primeira lição do livro: se um dia você tiver dragões cuide muito bem deles!

Na verdade praticamente todo o livro se passa em torno da cidade de Meereen e da rainha dos dragões. Velhos pactos são revelados, guerras estão prestes a acontecer, a cidade está sitiada e cercada por uma praga que assola a população. Dentro das muralhas inimigos secretos matam pessoas inocentes ao velho estilo terrorista.

Quem não está em Meereen está tentando chegar lá, uma lula gigante, um príncipe dornes, um grifo de cabelos pintados e um anão. Todos querem ter com Daenerys e tirar proveito de seu poder.

Tyrion é o que mais viaja nesse livro, em alguns momentos os seus capítulos parecem aulas de história e geografia. Quando ele desce o rio Roine, a história fica cansativa e não rende. Mas passando de Volantis ela engrena de novo e o anão começa a dar seu show (dessa vez literalmente)!

Enquanto isso na Muralha Jon Snow prova que Ygride estava certa, "ele não sabe nada"! Com inimigos dos dois lados da muralha decisões difíceis tem que ser tomadas. Mas essas decisões não agradam a todos e algo drástico precisa ser feito. Afinal a patrulha da noite não toma partido nas guerras do reino. 

Segunda lição: nunca saia de casa sem o seu lobo gigante!

Arya também é um show a parte, os capítulos dela em Bravos são excelentes! É impressionante acompanhar a mudança na personalidade dela e como aos poucos ela vai incorporando os ensinamentos que recebe no templo do Branco e Preto. Ela talvez seja a personagem que mais promete para o próximo livro.

Terceira lição: nunca minta para um sacerdote do Deus de Muitas Faces!

Outros personagens como Bran, Davos e Jaime são muito pouco explorados. Cersei apesar de aparecer somente na metade final do livro em alguns poucos capítulos continua roubando a cena. O capítulo da travessia entre o templo de Baelor e a Fortaleza Vermelha é um dos pontos altos do livro.

De uma forma geral, esse livro me deixou com um receio sobre o caminho da série. A cada mistério revelado dois novos surgem, sendo que alguns estão em aberto desde o primeiro volume, por exemplo: Onde está Benjen Stark? Quem eram os homens que Arya ouviu conspirando no subterrâneo de Porto Real? Que fim levou Sirio Forel? Quem era a mãe de Jon Snow? Esse monte de pontas soltas me fez lembrar o final de Lost, onde muitas coisas não foram explicadas direito. Se Martin conseguir responder a todas essas perguntas nos últimos dois volumes ele se consagra definitivamente, se não será decapitado em praça pública pelo magistrado do Rei ou banido para a Muralha. :-)

Para um livro que foi lançado com tanta pressa no Brasil que acabou chegando as lojas com um capítulo a menos e foi recolhido (não acredita clique aqui), chegar na última página sabendo que vou ter que esperar anos até ler o próximo me deixa uma sensação estranha.

Até lá vamos nos divertindo com a série de tv e rezando pro George R. R. Martin não morrer sem terminar a história!


Se você quiser ler sobre os livros anteriores, clique nos links abaixo:

Livro 4: O Festim dos Corvos
Livro 3: A Tormenta de Espadas
Livro 2: A Fúria dos Reis
Livro 1: A Guerra dos Tronos
Notícias Sobre a série de TV e os livros:  As Crónicas de Gelo e Fogo

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terça-feira, 4 de setembro de 2012

The Game of Thrones : Livro 4 - O Festim dos Corvos

Fim do quarto ato! Ou será que ainda estamos na metade? O certo é que mais uma vez o George R. R. Martin consegue manter o nível de sua trama, prendendo o interesse do leitor até o final, mesmo que seja com promessas de um quinto livro com mais ação.

Assim como nos livros anteriores ( "A Guerra dos Tronos", "A Fúria dos Reis" e "A Tormenta de Espadas") o quarto livro da série, "O Festim dos Corvos" nos leva de volta aos sete reinos de Westeros, explorando novas famílias e nos apresentando mais um batalhão de personagens ricos e interessantes.

Para quem leu o terceiro livro a pouco tempo como eu, vai sentir uma queda no ritmo da narrativa, principalmente na primeira metade, mas isso tem uma explicação. Inicialmente o quarto livro da série seria um monstro de quase 1500 páginas, chamado "A Dança dos Dragões". Pressionado pelos editores que não queriam um livro tão grande e também pelos fãs que já esperavam o lançamento há mais de 5 anos (Tormenta de Espadas foi lançado em 2000, e o Festim dos Covos no final de 2005") Martin decidiu então separar a narrativa em dois volumes distintos. A explicação de como a divisão foi feita está em uma nota do autor no final do quarto volume:

"... a maneira mais simples de fazer isso teria sido pegar o que tinha, dividi-lo ao meio e terminar com 'Continua'. Mas, quanto mais pensava nisso, mais sentia que os leitores ficariam mais satisfeitos com um livro que contasse toda a história para metade das personagens em vez de um com metade da história para todas as personagens. De modo que foi este o caminho que escolhi seguir:   
  Tyrion, Jon, Dany, Stannis e Melissandre, Davos Seaworth e o resto das personagens que vocês adoram ou adoram detestar estarão no próximo volume, A dança com dragões, que se centrá-ra em acontecimentos ao longo da Muralha e do outro lado do mar, tal como este livro se centrou em Porto Real...."

Portanto os eventos do quarto e quinto livros não são sequenciais e sim paralelos, ambos começam após os acontecimentos do terceiro livro. Legal, não é? Em vez de uma divisão cronológica, temos uma divisão geográfica dos eventos. Por isso em vário pontos, é possível perceber links entre os dois volumes, principalmente nas notícias que chegam ao pequeno conselho de Cersei vindas das cidades livres sobre dragões e rebeliões.

Mas vamos falar do livro em si. O Festim é um retrato o mais realista possível e as vezes até cruel de um cenário pós guerra. O reino está desolado e devastado após a guerra dos cinco reis. As terras fluviais foram as mais assoladas e agora estão na mão de foras da lei e pequenos grupos de desertores de exércitos derrotados. Quem nos mostra este cenário é Brienne, que vaga de cidade em cidade procurando pelo paradeiro de Sansa Stark. No caminho ela encontra de tudo, vilas queimadas, soldados enforcados e servindo de comida para os corvos, cidades onde só crianças sobreviveram, cidade onde ninguém sobreviveu, mendigos vagando pelas estradas, e um novo movimento religioso que nasce no meio da plebe, "os pardais". 

Enquanto isso em Porto Real, a rainha regente Cersei se vê cercada de inimigos e com cada vez menos aliados em que possa confiar. Mesmo assim ela faz de tudo pra proteger o trono do rei Tommen, tudo mesmo. Pra complicar ainda mais a sua situação e adicionar um elemento até então pouco explorado pelo autor, uma nova força surge no reino quando a rainha revoga uma lei antiga e permite que a "fé" use armas. Com a morte do antigo septão um novo assume seu lugar aclamado pelos pardais e agora com autorização para matar em nome da fé. Isso pode dar muito pano pra manga, e pode render boas estórias daqui pra frente. Fé e Guerra são coisas muito perigosas quando misturadas.

Martin também nos apresenta dois novos lugares, Pike onde a sucessão do Rei Balon gera capítulos surpreendentes que acabam sendo alguns dos pontos altos do livro. O mesmo não se pode dizer de Dorne, as terras do sul, para onde a princesa Myrcella foi enviada pelo duende no final do terceiro livro. Lá a narrativa fica mais lenta e acaba desacelerando demais o ritmo do livro.

Um outro ponto que achei abaixo da média nesse livro foi a atenção dada à Arya, ela é uma das personagens mais queridas e ganhou pouquíssimos capítulos, apesar de estarem entre os melhores do livro. Já Cersei rouba a cena completamente, com bastante atenção dada a ela do começo ao fim. A melhor personagem da série até então, só perdendo para o irmão Tyrion, é claro.

Ao final, fica a sensação de que como num jogo de xadrez, se gastou mais tempo posicionando bem as peças do que efetivamente atacando o oponente. O que tem sido uma marca registrada da série. Martin consegue traçar tramas políticas complexas, conchavos e falcatruas entre os poderosos, explicando parte ao leitor mas também deixando uma boa carga de mistério no ar. Para quem gosta desse tipo de trama o livro é muito bom, pra quem esperava mais ação como no terceiro, como disse no começo deste post, vai sentir um pouco a sua falta. Mas não se deixe enganar com o monte de conspirações e poucos duelos de espadas, alguns personagens guardam finais surpreendentes nesse livro.  

Um alento para quem achou Festim dos Corvos mais lento é que apesar do quinto livro ser paralelo, ele é maior. Ou seja, em algum momento da história a narrativa do quinto livro chegará ao ponto em que o quarto parou e continuará novamente como uma coisa só. Como dois rios que se juntam e viram um novamente. Aí sim, teremos ação para todos os lados, pois enfim teremos dragões!

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domingo, 29 de abril de 2012

The Game of Thrones : Livro 3 - A tormenta de Espadas

Fim do terceiro ato! Terminei alguns dias atrás de ler o terceiro volume da série "Crônicas de Gelo e Fogo". Bem maior que os dois primeiros volumes, A Guerra dos Tronos, e Fúria de Reis, "A tormenta de espadas" consegue prender a atenção do leitor por todas as suas mais de 800 páginas, e em alguns momentos a necessidade de continuar lendo torna-se quase uma compulsão.

O cenário no final do segundo livro é pós-guerra, depois de grandes batalhas entre as casas de Westeros, é hora de replanejar estratégias, pensar em novos acordos, escolher novos aliados e preparar traições, muitas traições.

O trono de ferro ainda é comandado pelos Lannister, mas o Jovem Lobo ainda não foi derrotado em batalha. No norte Winterfell foi desolada pelos homens de ferro, no sul os antigos aliados do rei Renly se juntam ao poderio de Porto Real. Nas terras fluviais ninguém é de ninguém, após mudar de lado várias vezes e ser palco de várias batalhas, a região vê surgir novas forças, foras da leis, sobreviventes e renegados de exércitos derrotados se juntam em nome do rei. Mas qual rei?

Fora de westeros, Jon Snow desbrava as terras pra lá da Muralha, e Dany vai se tornando cada vez mais Rainha e menos menina.

E esse continua sendo o ponto forte da narrativa do autor, ele consegue desenvolver tão bem seus personagens, que você se sente cada vez mais íntimo de cada um deles. Sofrendo junto dos mocinhos, e até entendendo os motivos pelos quais os vilões são vilões. Alias, já falei sobre isso em um post anterior. Em Westeros não existem mocinhos e vilões, apenas pessoas lutando pelos seus motivos, sejam eles honra, poder, comida ou simplesmente sobrevivência.

Um amigo colocou uma questão outro dia que me fez pensar sobre a obra de George R.R. Martin: "No senhor dos anéis, havia um objetivo: destruir o Um anel. Em Game of Thrones, qual seria o objetivo? O que esperar do final?" 

A resposta que dei na hora foi: "não sei". Mas refletindo sobre os livros que lí até agora, acho que o objetivo do autor não é um final apoteótico como o Senhor dos Anéis, pois a obra dele é muito mais humana do que a de Tolkien. Em uma comparação de formato, podemos dizer que O Senhor dos anéis, é basicamente uma fase de uma grande história, que é melhor descrita no Silmarilion que conta desde de a criação da Terra média, até a chegada da era do homens.

Em Game of Thrones a ideia é contar a história de uma dinastia, como o poder pode mudar de mão em mão, e como ele afeta a vida das pessoas, desde os reis até o povo mais humilde. Essa não é a história de um personagem, é a história de um reino, por isso personagens queridos morrem, e outros tomam os seus lugares. Porque não há um protagonista.

Por isso, se vocês está prestes a ler o terceiro livro, fica uma dica: Não se apegue a nenhum personagem!!! Eles podem ser tirados do seu convívio quando você menos esperar. E quando esses momentos chegam, é como se um amigo seu tivesse morrido. Em alguns desses momentos cheguei a dizer que não ia mais ler esse livro, mas alguns dias depois mudei de ideia. Ainda bem, pois as últimas páginas são surpreendentes, o desfecho de cada narrador é imprevisível e incrível. 


Mais uma vez, não vejo a hora de começar a ler o próximo.


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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Terceiro Livro de Game of Thrones será dividido em duas temporadas na série de tv!


Duas ótimas notícias para os fans de Game of Thrones. Primeiro, o autor George R. R. Martin, confirmou hoje em seu blog pessoal que a terceira temporada da série de tv está confirmada pela HBO e assim como as duas primeiras terá 10 episódios.

A segunda ótima notícia, também confirmada pelo autor, é a de que o terceiro livro será dividido em duas temporadas. Ou seja, teremos duas temporadas de 10 episódios cada uma para cobrir as quase 900 páginas do terceiro livro!

Enquanto isso sigo devorando o terceiro volume compulsivamente, carregando ele pra cima e para baixo e assistindo a segunda temporada na HBO!

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Game of Thrones: Saiu o primeiro trailer completo da segunda temporada

Saiu o primeiro trailer completo da segunda temporada de Game of Thrones. Confira!


Pelo jeito, a HBO vai continuar bem fiel ao livro. Só um fato não fez sentido, para quem leu o segundo livro. Talvez estejam adiantando algo do terceiro, pro personagem ter chance de aparecer nessa temporada. Não sei porque ainda não li o terceiro inteiro.

Quem sabe do que eu to falando?

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Segunda temporada de Game of Thrones estréia dia 01 de abril!

A HBO latino-americana em um comunicado oficial divulgou essa semana que a segunda temporada de Game of Thrones tem estréia marcada para o dia 01 de abril no Brasil, mesma data em que será lançada nos Estados Unidos.


A segunda temporada de Game of Thrones é baseada no segundo livro da série chamado "A Fúria dos Reis". Quem já leu, sabe muito bem o que esse slogan "War is Coming" quer dizer!

Se quiser saber sobre os bastidores das filmagens acesse o site oficial da produção: Making Game of Thrones 

Agora resta torcer pra data de lançamento não ser uma pegadinha do dia mentira antecipada!


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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

The Game of Thrones : Livro 2 - A Fúria dos Reis

Após ler o primeiro volume da série "Crônicas de Gelo e Fogo", mais conhecida no Brasil pela série da HBO chamada "Game of Thrones" comprei os dois livros seguintes de uma vez só em uma promoção na internet e em menos de 3 meses devorei o Livro 2 e suas mais de 600 páginas.

Assim como no primeiro livro a ideia da série é contar a história de um reino pela visão de diferentes narradores. Com essa dinâmica o autor consegue mostrar os fatos de uma forma bastante interessante, ao ponto de colocar na cabeça dos leitores a dúvida sobre quem são os mocinhos e quem são os vilões. O que acontece é que depois de algumas páginas você vai percebendo que a existência de mocinhos e vilões torna-se totalmente irrelevante a medida que você percebe a índole de cada personagem e os motivos que justificam os seus atos.

Neste segundo livro a guerra se espalhou pelo reino de Westeros, e temos vários reis lutando por seus próprios motivos, sejam eles honra, sede de poder, vingança, política ou simplesmente sobrevivência.

Alguns podem achar a narrativa deste segundo volume lenta, mas na verdade ela se desenrola como um grande jogo de xadrez jogado por 5 exércitos no mesmo tabuleiro. A cada movimento o cenário do jogo vai mudando, novas alianças são feitas e desfeitas, quem estava ganhando até um segundo atrás se vê entre a vida e a morte de repente. E assim como no Xadrez o posicionamento inicial e o desenvolvimento são feitos lentamente para se garantir um cheque mate certeiro.

Um dos pontos fortes de "A Fúria dos Reis", é acompanhar o desenvolvimento dos personagens. Quem você simpatizava no primeiro livro ganha a sua admiração. Quem você não gostava, agora você odeia. O que não impede é claro de reviravoltas acontecerem, afinal quem não se pegou torcendo por um Lannister? 
 
Além de desenvolver os personagens, o livro desenvolve melhor o território do reino e também das terras orientais. Cidades e famílias que só foram citadas no primeiro livro entram na guerra com tudo. Aliás isso deve ser um belo desafio para a segunda temporada da série de TV já que a quantidade de locações necessárias aumentou consideravelmente. Por falar nisso, a série está prevista para estrear ainda no primeiro semestre de 2012 na HBO.

Outra coisa que ficou bacana na narrativa é que o autor conseguiu balancear bem as diferentes linhas do tempo. Afinal é complicado, ler um capítulo eletrizante sobre uma batalha em Porto Real, virar a página e descobrir que você foi transportado pra lá da Muralha. Isso acontece várias vezes mas não tira a sua vontade de ler, o que, eu confesso, acontecia as vezes comigo em o Senhor dos Anéis (os capítulos finais sobre Frodo e Sam são difíceis de digerir).

Mas antes que me crucifiquem, é bom deixar claro que a obra de Martin não chega aos pés da de Tolkien. Como já afirmei no post sobre o primeiro livro.

A "Fúria dos Reis" modifica o cenário do Reino, encerra alguns pontos e deixa o terreno pronto para mais guerras, intrigas, conchavos políticos e dilemas para os próximos livros da série.

Que venha o próximo e suas 880 páginas!!!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

The Game of Thrones : Livro 1


Essa semana, de férias, terminei de ler o livro Game of Thrones, o primeiro da série Crônicas de Gelo e Fogo ("A Song of Ice and Fire"). Escrita pelo autor americano George R. R. Martin, a série de livros já é um grande fenômeno de vendas pelo mundo, e como diz um dos comentários na capa da edição em português "a mais importante obra de fantasia desde que Bilbo encontrou o anel.” Será?

O autor:

George R. R. Martin nasceu em 20 de setembro de 1948 em New Jersey. Quando criança Martin se tornou um grande fan e colecionador de histórias em quadrinhos. Em 1963 ele escreveu uma carta para a Marvel que acabou sendo publicada na edição de número 20 do Quarteto Fantástico no espaço para leitores. Martin atribui a este fato a vontade de se tornar escritor. Desde então começou a escrever estórias sobre heróis chegando a ganhar prêmios como escritor amador ainda na adolescência. O texto "Powernan vs The Blue Barrier" rendeu a ele seu primeiro prêmio em 1965.


Em 1970 se formou em jornalismo e desde então atua em várias produções literárias, séries para Tv, filmes e jogos de RPG. Sempre ligadas a ficção científica, super heróis ou fantasia. Mas francamente, nenhuma das obras de Martin em todos estes ramos diferentes pelos quais ele passou lhe rendeu notoriedade e sucesso. Até porque na maioria delas ele atuou como colaborador e não como principal roteirista ou escritor.


As Crônicas de Gelo e Fogo:


Martin começou a escrever as Crônicas de Gelo e Fogo em 1991 e o primeiro volume foi publicado nos estados unidos em 1996. A série originalmente foi planejada para ser uma trilogia, porém com o sucesso de público e crítica, e as reclamações de que o terceiro volume era grande demais e difícil de ser publicado, ela foi estendida para sete livros. Cinco já foram publicados em inglês sendo que os volumes quatro e cinco alcançaram o topo da lista de bestsellers do New York Times respectivamente em 2005 e 2011. A série já foi traduzida para mais de 20 línguas diferentes, inclusive o português. No Brasil ela esta sendo comercializada pela editora Leya que já lançou os três primeiros volumes.




Em 2011 a HBO comprou os direitos da saga de livros e produziu uma série de TV. A primeira temporada da série conta em 10 capítulos a história do primeiro livro. Rapidamente se tornou um sucesso nos estados unidos e com o advento do torrent :-), se espalhou pelo mundo inteiro, alavancando ainda mais as vendas dos livros de Martin.


A segunda temporada já esta sendo filmada e está prevista para estrear no segundo trimestre de 2012.


A Game of Thrones (minha humilde crítica):

Particularmente, eu comprei sem saber da série de TV. Estava viajando, sem nada pra ler e resolvi encarar o calhamaço de quase 600 páginas. Na verdade se soubesse que esse seria apenas o primeiro livro que me levaria a comprar outros 6 maiores ainda talvez tivesse optado por uma leitura mais leve. Mas ainda bem que comprei, porque o livro é muito bom!


Comecei a ler ainda na viagem e chegando em casa baixei todos os episódios da série. A medida que ia avançando no livro assitia mais um episódio. O que se tornou uma experiência muito bacana, já que o roteiro da série é bastante fiel ao texto original, trazendo vários diálogos ao pé da letra.


O livro conta a história de um reino dividido entre sete grandes casas, com seus territórios, vassalos, cavaleiros e intrigas. Basicamente é um livro político, onde os conchavos, as alianças, as mentiras e os segredos podem ter mais poder do que as espadas e os arcos. Talvez seja por isso que a presidente Dilma Roussef tenha dito que gosta da série (não sei se ela se identifica no papel do rei mas com certeza o PMDB seria a família Lannister).




O livro começa com a morte da "mão do rei", uma espécie de primeiro ministro do Rei Robbert que por sua vez viaja até o gelado norte para convidar Eddard Stark, lorde de Winterfell para assumir o cargo e se juntar a ele na corte, já que ele não confia em mais ninguém ao seu redor.


Muito bem, mas onde estariam a magia e as criaturas fantásticas desta estória? Este é uma das grandes sacadas do livro. Todo o lado digamos "oculto", é apresentado muito lentamente e não jogado na cara do leitor de uma vez só. No prólogo uma morte acontece logo nas primeiras páginas em uma situação mal explicada e sombria, porém isso é usado apenas para aguçar a curiosidade do leitor ao longo dos demais capítulos. O que será que realmente existe atrás da Muralha?


A história dos reinos, as criaturas que viveram antes das chegadas dos homens, as lendas são contadas quase que como num conto de fadas, deixando sempre aquela suspeita sobre a sua veracidade. Portanto se você é leitor de Harry Potter não vá esperando por feitiços, vassoras e varinhas!


A narrativa em terceira pessoa é outro ponto forte da trama. A cada capítulo, a história é contata sobre o ponto de vista de uma personagem diferente, o que dá uma visão muito profunda dos acontecimentos e coloca o leitor praticamente dentro das cenas retratadas no livro.


Os personagens em si são muito interessantes. Não existe a figura pré-definida do herói ou do vilão, o que torna o enredo muito humano e fácil de se envolver. Existem só pessoas defendendo seus interesses, cada um ao seu modo, alguns com honra, outros com ganância, outros apenas para se defender ou defender suas casas.


Porém, ao mesmo tempo em que o autor se aprofunda nas personagens ele também não se apega a elas. Fica muito claro durante o decorrer do livro que essa não é a história de um rei, ou de um lorde, ou de uma donzela, e sim a história de uma dinastia que vai percorrer várias gerações.


Falando um pouco da série, achei que 10 capítulos não foram suficientes pra retratar todo o primeiro volume. Fiquei com a impressão de que eu alguns momentos se não tivesse lendo o livro algumas coisa não fariam sentido. Mesmo assim, vale a pena conferir, já que a produção da HBO está impecável.


Uma dica importante para quem não viu a série e pretende ver é quanto a censura. Por se tratar de uma história medieval, existem cenas fortes de violência, decapitações, mutilações, relações sexuais as vezes incestuosas, que seriam difíceis de se explicar para uma criança. Portanto cuidado.


Comparações com a obra de Tokien:

Para quem já leu a obra de Tokien soa até estranho fazer comparações. Apesar de retratarem universos parecidos a primeira vista, fica claro que a obras não tem muito a ver. O aspecto religioso implícito nos livros de Tokien, onde ele define deuses, entidades boas e entidades más não estão presentes na obra de Martin, o que de cara já os diferencia e torna qualquer tipo de comparação complicada de ser feita. Na obra de Tokien todo Elfo é bom por natureza, todo Orc é mal por natureza e todo o homem pode escolher ser um ou outro. E os conflitos entre as raças é o cerne da questão.


Martin fez um romance muito mais humano, onde as relações entre as pessoas e seus interesses são muito mais importantes que a magia ou o conceito de bem ou mal. Os motivos que levam um personagem a matar outro ou tramar contra ele são tão bem descritos que tentam te convencer de que aquilo é justo e a única coisa a ser feita. Esse é o barato de não se ter bem ou mal! Você julga as atitudes e se diverte com os conflitos.


Se em nenhum momento lendo o Senhor do Anéis você teve vontade de torcer por um Nazgûl, em Game of Thrones você pode se ver torcendo por alguém da pior espécie, como um anão bem nascido, mulherengo e manipulador.


Pra mim são obras muito diferentes, e o trabalho de Tokien é muito mais grandioso, com as diferentes culturas, arquiteturas, dialetos que ele criou sozinho e que compõe o seu universo.


Pra acabar:


Recomendo a leitura pois o livro é muito bom. Se tiver a oportunidade de ler e assistir à serie em paralelo como eu fiz, sua experiência com a história fica bem mais rica. Já estou lendo o segundo e quando terminar volto a escrever minhas impressões!