terça-feira, 4 de setembro de 2012

The Game of Thrones : Livro 4 - O Festim dos Corvos

Fim do quarto ato! Ou será que ainda estamos na metade? O certo é que mais uma vez o George R. R. Martin consegue manter o nível de sua trama, prendendo o interesse do leitor até o final, mesmo que seja com promessas de um quinto livro com mais ação.

Assim como nos livros anteriores ( "A Guerra dos Tronos", "A Fúria dos Reis" e "A Tormenta de Espadas") o quarto livro da série, "O Festim dos Corvos" nos leva de volta aos sete reinos de Westeros, explorando novas famílias e nos apresentando mais um batalhão de personagens ricos e interessantes.

Para quem leu o terceiro livro a pouco tempo como eu, vai sentir uma queda no ritmo da narrativa, principalmente na primeira metade, mas isso tem uma explicação. Inicialmente o quarto livro da série seria um monstro de quase 1500 páginas, chamado "A Dança dos Dragões". Pressionado pelos editores que não queriam um livro tão grande e também pelos fãs que já esperavam o lançamento há mais de 5 anos (Tormenta de Espadas foi lançado em 2000, e o Festim dos Covos no final de 2005") Martin decidiu então separar a narrativa em dois volumes distintos. A explicação de como a divisão foi feita está em uma nota do autor no final do quarto volume:

"... a maneira mais simples de fazer isso teria sido pegar o que tinha, dividi-lo ao meio e terminar com 'Continua'. Mas, quanto mais pensava nisso, mais sentia que os leitores ficariam mais satisfeitos com um livro que contasse toda a história para metade das personagens em vez de um com metade da história para todas as personagens. De modo que foi este o caminho que escolhi seguir:   
  Tyrion, Jon, Dany, Stannis e Melissandre, Davos Seaworth e o resto das personagens que vocês adoram ou adoram detestar estarão no próximo volume, A dança com dragões, que se centrá-ra em acontecimentos ao longo da Muralha e do outro lado do mar, tal como este livro se centrou em Porto Real...."

Portanto os eventos do quarto e quinto livros não são sequenciais e sim paralelos, ambos começam após os acontecimentos do terceiro livro. Legal, não é? Em vez de uma divisão cronológica, temos uma divisão geográfica dos eventos. Por isso em vário pontos, é possível perceber links entre os dois volumes, principalmente nas notícias que chegam ao pequeno conselho de Cersei vindas das cidades livres sobre dragões e rebeliões.

Mas vamos falar do livro em si. O Festim é um retrato o mais realista possível e as vezes até cruel de um cenário pós guerra. O reino está desolado e devastado após a guerra dos cinco reis. As terras fluviais foram as mais assoladas e agora estão na mão de foras da lei e pequenos grupos de desertores de exércitos derrotados. Quem nos mostra este cenário é Brienne, que vaga de cidade em cidade procurando pelo paradeiro de Sansa Stark. No caminho ela encontra de tudo, vilas queimadas, soldados enforcados e servindo de comida para os corvos, cidades onde só crianças sobreviveram, cidade onde ninguém sobreviveu, mendigos vagando pelas estradas, e um novo movimento religioso que nasce no meio da plebe, "os pardais". 

Enquanto isso em Porto Real, a rainha regente Cersei se vê cercada de inimigos e com cada vez menos aliados em que possa confiar. Mesmo assim ela faz de tudo pra proteger o trono do rei Tommen, tudo mesmo. Pra complicar ainda mais a sua situação e adicionar um elemento até então pouco explorado pelo autor, uma nova força surge no reino quando a rainha revoga uma lei antiga e permite que a "fé" use armas. Com a morte do antigo septão um novo assume seu lugar aclamado pelos pardais e agora com autorização para matar em nome da fé. Isso pode dar muito pano pra manga, e pode render boas estórias daqui pra frente. Fé e Guerra são coisas muito perigosas quando misturadas.

Martin também nos apresenta dois novos lugares, Pike onde a sucessão do Rei Balon gera capítulos surpreendentes que acabam sendo alguns dos pontos altos do livro. O mesmo não se pode dizer de Dorne, as terras do sul, para onde a princesa Myrcella foi enviada pelo duende no final do terceiro livro. Lá a narrativa fica mais lenta e acaba desacelerando demais o ritmo do livro.

Um outro ponto que achei abaixo da média nesse livro foi a atenção dada à Arya, ela é uma das personagens mais queridas e ganhou pouquíssimos capítulos, apesar de estarem entre os melhores do livro. Já Cersei rouba a cena completamente, com bastante atenção dada a ela do começo ao fim. A melhor personagem da série até então, só perdendo para o irmão Tyrion, é claro.

Ao final, fica a sensação de que como num jogo de xadrez, se gastou mais tempo posicionando bem as peças do que efetivamente atacando o oponente. O que tem sido uma marca registrada da série. Martin consegue traçar tramas políticas complexas, conchavos e falcatruas entre os poderosos, explicando parte ao leitor mas também deixando uma boa carga de mistério no ar. Para quem gosta desse tipo de trama o livro é muito bom, pra quem esperava mais ação como no terceiro, como disse no começo deste post, vai sentir um pouco a sua falta. Mas não se deixe enganar com o monte de conspirações e poucos duelos de espadas, alguns personagens guardam finais surpreendentes nesse livro.  

Um alento para quem achou Festim dos Corvos mais lento é que apesar do quinto livro ser paralelo, ele é maior. Ou seja, em algum momento da história a narrativa do quinto livro chegará ao ponto em que o quarto parou e continuará novamente como uma coisa só. Como dois rios que se juntam e viram um novamente. Aí sim, teremos ação para todos os lados, pois enfim teremos dragões!

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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

PMP - Dicas para a prova de Certificação do PMI

Depois de alguns anos trabalhando com projetos de TI, resolvi me preparar para tirar a certificação PMP. Fiz minha prova algumas semanas atrás e deixo aqui algumas dicas de estudo e também sobre a prova. Detalhes sobre o processo de inscrição, elegibilidade, agendamento podem ser encontrados no site do PMI (Projetct Management Institute). Por isso não vou entrar nesses assuntos, a ideia aqui é falar sobre como se preparar para a prova e algumas dicas para o dia do exame:


> Encare a certificação como um projeto
Parece papo de vendedor de livro de auto-ajuda, mas tratar o assunto como um projeto pessoal vai te ajudar a se organizar. Já fiz algumas provas de certificação em TI, mas  confesso que para essa tive que me preparar melhor, afinal vários aspectos de gerência de projeto eu nunca estudei formalmente numa sala de aula (na engenharia é diferente!), principalmente os ligados a administração de pessoas e gestão da qualidade.

Planeje seu tempo e os passos pra tirar a certificação. Eu fiz um treinamento preparatório, se essa for a sua escolha também, no último dia de aula marque a prova, mas não para o dia seguinte. Saindo do curso você vai precisar de um tempo pra fixar o conteúdo. Eu me dei um prazo de 2 meses. Foi o suficiente para fazer exercícios, simulados e reforçar os conceitos.

> Fazer um curso preparatório. Sim ou Não?
Como disse, muitos conceitos do PMBook são abstratos para engenheiros e profissionais de TI, portanto um curso preparatório pode te ajudar a ganhar tempo nos estudos. Se você me perguntasse: "É possível passar na prova sem fazer um curso?" A resposta seria: "Claro que sim, mas vai tomar mais do seu tempo".

"Só fazer o treinamento é suficiente pra passar?" a resposta é: "Não. Você vai ter que estudar em casa, por melhor que seja o treinamento".

Resumindo, se tempo para o estudo não é um problema para você, siga sozinho. Eu fiz o treinamento e foi muito útil, principalmente pra me tirar da estaca zero, e dar uma visão geral do todo.


> Livros
O PMBook é o material oficial, mas cá pra nós é uma leitura entediante. Necessária mas entediante. Utilize um livro auxiliar para guiar os seus estudos. Eu usei o livro da Rita Mulcahy pois tem uma linguagem mais didática. Porém em alguns pontos ela se perde nessa didática e acaba ficando meio confusa e complicando demais as coisas. Na dúvida lembre-se que para a prova vale o que está no PMBook.

Uma dica que me deram no curso e eu achei válida é não usar mais de um livro auxiliar. Todos derivam do PMBook, mas com métodos de ensino diferentes. Consultar várias fontes pode atrapalhar mais do que ajudar.


> Exercícios e Simulados
Faça muito exercícios! Existem alguns programas que simulam o software da prova e tem milhares de exercícios sobre o tema. Faça o máximo possível. Porém evite fazer mais de uma vez as mesmas questões, a cada vez que você refaz, seu percentual de acerto vai aumentar, e isso vai te dar uma falsa impressão de que você sabe tudo.

Faça simulados com a duração de 4 horas e 200 questões. O tempo é um fator importante na hora da prova e é bom treinar. Porém não faça muitos desses simulados pois são cansativos e pode perder o sentido. Eu fiz ao todo 3, um em cada um dos finais de semana que antecederam a prova. Não se importe com a nota. A ideia é focar nas áreas de conhecimento que você está errando mais para direcionar seus estudos e eliminar seus pontos fracos.

Uma última coisa sobre exercícios. Devo ter feito mais de 1000, e nenhum deles caiu exatamente igual na minha prova. Ou seja, esquece "Test king" e "Braindumps", aqui o buraco é mais embaixo.

> Evite decorar
São ao todo 42 processos divididos em 9 áreas de conhecimento e 5 grupos. Você precisa conhecer todos? Sim, mas a melhor forma não é decorando. Na prova não espere por questões diretas do tipo: que entrada é de que processo? ou, de que grupo esse processo faz parte? Elas podem até cair, mas na maioria esmagadora das vezes você vai ter que identificar o processo no meio de um contexto, e pra isso decorar não vai te ajudar em nada.

Tente entender o porque de cada um dos processos,  e trace uma sequencia lógica para eles na sua cabeça. Tenha em mente que cada grupo tem um padrão de funcionamento dentro do projeto. Saber identificar numa questão se estamos falando de um processo de planejamento, execução ou controle, já é meio caminho andado.

Ao final você vai conseguir desenhar todos os 42 sem consultar o material, e sem ter decorado.

> Fórmulas
São muito poucas fórmulas e essas sim podem ser decoradas. Uma dica muito comum é escrever as fórmulas no papel de rascunho que será dado no dia. Você terá 15 minutos pra ver um tutorial sobre a prova  antes dela começar (como pular uma questão, como passar pra próxima,etc). Use esse tempo a seu favor.

Porém, mais uma vez cuidado, saber as fórmulas de custo sem saber aplicá-las não vai adiantar de nada. Aliás, em várias questões, muitas mesmo, os índices e termos de custo foram usados pra descrever a saúde do projeto mas sem que você tenha que utilizar nenhuma fórmula na resolução. Por exemplo: "Em um projeto onde o SPI é 1,2 e o CPI é 0,8 qual ação o gerente de projeto deve tomar primeiro?" 

Saber o conceito vai te ajudar mais do que saber a fórmula.


> Experiência
Se você tem anos de experiência com projetos, eles vão te ajudar em muito na prova, mas cuidado pra não deixar que eles te atrapalharem. Em várias questões, situações do cotidiano serão retratadas. Em muitas, todas as opções vão estar corretas, e você deve escolher a "Melhor" ou a que você faria "Primeiro".

Em muitos casos, pela experiência eu faria uma coisa, mas o PMI sugere que você faça outra primeiro. Infelizmente, para a prova vale a opinião do PMI e não a sua, portanto cuidado. O único jeito de treinar sua cabeça para que ela pense igual ao que a prova quer é fazendo exercícios. Muitos exercícios!



> Relaxe
Na hora da prova evite ficar nervoso. Ótimo esse conselho, não? Você tem 1m12s de média pra cada questão, parece pouco mas é suficiente. Se você se preparou bem, várias você vai matar com poucos segundos, o que vai te dar uma sobra pras mais difíceis. Leia tudo com muita atenção, controle o tempo, use ele a seu favor e fique calmo.


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